
Caxias do Sul produz, diariamente, cerca de 340 toneladas de lixo orgânico. Recolhido pela CODECA, esse lixo é disposto no Aterro Sanitário São Giácomo, dentro das normas ambientais vigentes. Há um cuidado especial para que esse lixo, produzido pela população, não contamine o solo, lençóis freáticos e o ar.
O aterro existe desde 1991. Antes, o local era utilizado por moradores e empresas do município para descartar o lixo, tanto o orgânico como o seletivo. Era um lixão, sem nenhum cuidado pra evitar a contaminação do meio ambiente. Em um acordo firmado pelo Ministério Público e Prefeitura, o lixão foi transformado em aterro. Desde então, o lixo orgânico caxiense recebe tratamento.
Antes de receber o lixo, o terreno é devidamente preparado. Sobre a terra, é colocado um metro de argila compactada, uma geomembrana PEAD (Polietileno de Alta Densidade), outro camada de argila e rachão. Sobre esse estrutura é disposto o lixo. Esse material descartado é compactado por tratores e, depois de alcançar cerca de quatro metros de altura, coberto por uma camada de argila e terra. Em cima, é plantada grama.
O chorume, efluente oriundo da decomposição do lixo, é direcionado por uma sistema de canalização para a Central de Tratamento. O processo de tratamento é constituído de três fases, num processo seguido à risca pela Codeca. A saber:
1 - Tratamento físico-químico. Consiste na adição de um coagulante/floculante (sulfato de alumínio). Serve para formar flocos mais pesados, que serão retirados através de processo de decantação. O lodo, a parte sólida resultante desse processo, é secado e colocado de volta no aterro sanitário. A parte líquida é enviada para a segunda fase.
2 - Tratamento biológico. Consiste na passagem da parte líquida em um reator biológico, onde a matéria orgânica será digerida por bactérias anaeróbicas.
3 - Filtro de areia. Após o tratamento biológico, o líquido passa por um filtro de areia e, após esse processo, o material é descartado no arroio Tega.
Em cada etapa do processo de tratamento são coletadas amostras para análise química, visando verificar a eficiência do tratamento e se o mesmo obedece os parâmetros estabelecidos pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
O gás metano, o efluente resultante da decomposição, é drenado e queimado para ser transformado para CO2 (dióxido de carbono). A opção pela queima se explica pelo fato de o gás metano ser 21 vezes mais prejudicial para a camada de ozônio do que o dióxido de carbono.
Mesmo depois de parar de receber lixo, o Aterro Sanitário São Giácomo continuará a ser monitorado pelos técnicos da CODECA e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente por 20 anos, pelo menos. O cuidado se justifica: zelar pelo meio ambiente.